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Primeiro de Maio de 2012
Os destroços do reformismo levarão os trabalhadores à revolução e ao Comunismo
 
 
A “solução burguesa” para a crise do Capital

O capitalismo está a afundar-se na crise, dia após dia. As proclamações de todo e qualquer tipo de governo burguês (de direita como de esquerda), que sonha com uma superação da crise (mais ou menos remota), são mera propaganda para convencer os trabalhadores a aceitarem os sacrifícios, segundo a formulazinha “estar pior hoje para estar melhor amanhã”. A crise, pelo contrário, só piorará, enovelando-se numa espiral de causas e efeitos sempre mais dramáticos, até à queda mundial da economia capitalista, pois não existe solução para ela.

Na sua história o capitalismo já atravessou crises análogas à crise hodierna. A última foi a Grande Depressão dos anos Trinta. Hoje, a chamada política económica de Keynes, ou seja, a intervenção do Estado para defender a economia capitalista, é invocada pela esquerda burguesa, quer pela moderada quer pela “radical”. Na altura da Grande Depressão, esta política económica foi praticada indiferentemente por todos os regimes burgueses, tanto pelos democráticos quanto pelos fascistas e nazis, e não resolveu absolutamente a crise. O que permitiu ao capitalismo voltar ao “crescimento” – objetivo, outrora e hoje, vendido como “bem comum” a burgueses e trabalhadores – foi a Segunda Guerra mundial. Os burgueses sentem nostalgia do “boom económico” dos anos ’50-’60, mas este foi o fruto do sacrifício de 55 milhões de vidas, quase todas de proletários e camponeses. Este é o preço a pagar ao Capital pelo seu “crescimento!”

Até 1929, nenhum “grande” economista ou político burguês previra que o capitalismo precipitaria na crise. Em seguida, no pós-guerra, afirmava-se que o capital já tinha aprendido a governar-se totalmente, sem tremores, através da programação e com os consumos “de massa”. Só o marxismo revolucionário manteve a sua originária previsão científica: as verdadeiras causas da crise, indicadas pelo comunismo no Manifesto de 1848 e no Capital de Marx, são a sobre-produção e a queda da percentagem do proveito, dois fenómenos não elimináveis e imparáveis da economia capitalista, porque implícitos nas suas leis fundamentais de funcionamento.

Agora estas leis são evidentes para todos, válidas para todos os países capitalistas maduros e destino inevitável também dos novos capitalismos potentes.

A burguesia não pode parar a crise, mas apenas travar o seu avanço. Isto já aconteceu com a crise de 1973-’74, que marcou o fim do ciclo de trinta anos de forte crescimento do segundo pós-guerra e o início da crise geral, agindo-se em três estádios: com o aumento da dívida, com o alargamento do mercado mundial e com o aumento da exploração da classe operária. O capitalismo conseguiu, por conseguinte, adiar e abrandar o início da crise, permitindo outros 35 anos de crescimento fraco, mas não conseguiu evitá-la: explodiu há quatro anos e assim continuará até à completa deflagração.

Portanto, não existe uma solução económica para a crise do capitalismo, mas para a burguesia existe uma única solução política: uma nova guerra mundial, para destruir a enorme massa de mercadorias em excesso, entre as quais a mercadoria força-de-trabalho, e submeter a classe operária internacional a exploração máxima. E existe uma única solução política proletária: a Revolução, para superar este modo de produção inumano e anti-histórico.
 

Reformismo como instrumento de defesa burguesa

No período anterior ao imperialismo e às guerras imperialistas, época que culminou na proclamação da jornada de luta internacional do 1° de maio, marxismo revolucionário e reformismo combatiam-se duramente mas dentro do mesmo partido, a Segunda Internacional, porque partilhavam o mesmo objetivo: uma sociedade futura sem classes. Existia um reformismo de classe, que prospetava aos trabalhadores a superação gradual do capitalismo, através da luta de classe mas sem a revolução, ou seja, uma sua pacífica evolução no socialismo. Os sindicatos, embora dirigida por reformistas, no seus estatutos proclamavan como objetivo final do movimento operário e sindical a “emancipação do trabalho assalariado”.

A Primeira Guerra mundial marcou o fracasso do reformismo porque demonstrou que o capitalismo realmente não estava a avançar, nem sequer gradualmente, para o socialismo, mas levava à maior carnificina que a história já conhecera, e porque todos os partidos socialistas, guiados pelos reformistas, apoiaram a guerra, abandonaram em cada país a luta de classe ligando os trabalhadores à burguesia, levando-os ao massacre fratricida nas frentes, pisando o internacionalismo proletário, que até ao dia anterior fora falsamente obsequiado. O reformismo proletário morria, tornando-se desde então e para sempre um instrumento nas mãos da burguesia: da superação gradual do capitalismo passou-se ao seu “melhoramento”; a abolição do trabalho assalariado foi substituída pela “defesa da pátria” e da “democracia”.
 

Desforra do marxismo revolucionário e nova degeneração

Face à traição do reformismo e na onda revolucionária que depois da Primeira Guerra mundial atravessou toda a Europa, conseguindo porém levar ao poder a classe operária somente na Rússia, as correntes marxistas revolucionárias separaram-se das reformistas. Na Itália, em 1921, a extrema esquerda separou-se do PSI para fundar em Livorno o Partido Comunista de Itália. Mas a força revolucionária foi insuficiente para vencer a influência tradicional dos velhos partidos reformistas sobre a classe operária, determinante em fazer falir as tentativas insurrecionais na Alemanha e em impedir que os trabalhadores resistissem à reação burguesa, fascista em Itália, democrática noutros lugares.

O poder comunista na Rússia, isolado, privado da vitória proletária necessária no resto da Europa, foi atropelado pela contrarrevolução estalinista, que se afirmou desde 1926 com a teoria anticomunista da “construção do socialismo num só país”, e com a mentira que desde então e por 60 anos faria passar por Comunismo o ”capitalismo de Estado” russo. Em poucos anos o estalinismo liquidou o comunismo revolucionário na Rússia, na Terceira Internacional e nos seus partidos. Também em Itália a Esquerda Comunista, a corrente de esquerda do PC de Itália que tinha fundado e guiado o partido nos seus primeiros anos, foi subjugada pela corrente estalinista e o PC de Itália foi arrastado pelo leito daquele reformismo, já burguês, do qual se separara em ’21, substituindo a palavra da revolução de classe de abater o capitalismo pela da luta interclassista contra o fascismo e a favor da democracia.

Na Segunda Guerra mundial os trabalhadores de todo o mundo viram-se novamente privados, como na primeira guerra, de um partido que lhes dissesse para transformarem a guerra imperialista em revolução de classe, virando contra os próprios governos burgueses aquelas armas que lhes tinha sido entregue para dispararem contra os proletários dos outros países. O estalinismo empurrou os trabalhadores para a frente de batalha tal como fizera o reformismo na Primeira Guerra, escondendo as finalidades imperialistas de ambas as frentes de guerra com as mentiras do falso socialismo russo e da defesa da democracia.
 

Democracia, pós-reformismo e pós-estalinismo ainda contra a classe operária e contra o Comunismo

Nos destroços da Segunda Guerra o capitalismo encontrava o impulso para a sua horrível “renovada juventude”, de que hoje vivemos o epílogo. Mas tudo o que a classe operária conquistou fê-lo ao preço de duras lutas, com greves preparadas e conduzidas como autênticas provas de força para dobrar o patronato, que custaram também a vida a dezenas de operários e trabalhadores braçais mortos nas praças pela polícia.

O reformismo, favorecido pelo crescimento económico do segundo pós-guerra, pelo contrário, iludiu os trabalhadores afirmando que aquelas pequenas melhorias eram o fruto de um capitalismo novo porque democrático; que não eram suscetíveis de serem postos em discussão quando a burguesia o desejasse, mas que tinham sido adquiridos; que não eram conquistas defendíveis só com a mesma força que as tinha obtido, mas direitos aos quais apelar-se, abandonados os métodos da luta de classe, com base no princípios abstratos e falsos da democracia e do parlamentarismo.

Hoje vê-se que não existe “direito” dos trabalhadores que não seja brutalmente revocado no interesse do capital. Democracia e parlamentarismo estão a mostrar-se apenas como um engano feroz, servos em tudo dos interesses burgueses, que jamais serão usados pela classe operária, como sempre foi e como o comunismo revolucionário sempre afirmou.

Para sobreviver o capitalismo levará os trabalhadores à fome, como se está já fazendo democraticamente na Grécia. E depois à guerra.
 

Voltar ao programa comunista revolucionário originário

Face à iminente queda do modo de produção de onde retira os seus privilégios de classe, a burguesia intima aos trabalhadores que: «estamos à beira de um precipício: para nós, burgueses, mas também para vocês, trabalhadores, ou capitalismo, ou a morte!». A esquerda burguesa reafirma-o a cada instante e quando está no governo torna-se artífice das mesmas medidas postas em ato pelos governos de direita. Quando chefia os sindicatos não organiza verdadeiras mobilizações para não danificar a economia nacional tocada pela crise. Se os trabalhadores se opuserem com greves reais, acusa-os de irresponsabilidade, porque desta maneira põem em perigo aquela que seria a sua fonte de vida: o Capital.

Mas é verdade o contrário: o que é um bem para o Capital é danoso para os trabalhadores, e vice-versa! O reformismo prega desde sempre o princípio oposto, a conciliação dos interesses dos trabalhadores com os da economia capitalista, que chamam de bem do país. Na verdade, os apelos à unidade nacional têm sempre um único significado: novos sacrifícios operários para o Capital. A sobrevivência da classe trabalhadora não está na “salvação do país”, mas além deste modo de produção, isto é, contra o “bem do país”, que não é outra coisa senão o bem do Capital.

Não se trata de inventar nada de novo, mas de redescobrir e recuperar o programa comunista revolucionário originário, eliminando os destroços da última e da pior das vagas oportunistas, a do estalinismo, que escondeu e mistificou até o significado de Comunismo para os proletários.

Isto é possível não decerto com uma obra intelectual, mas com a luta política, militando naquele partido, o Partido Comunista Internacional, que reivindica a tradição de três gloriosas Internacionais e da esquerda comunista italiana, única corrente que a degeneração da Terceira combateu desde o início e que daquela derrota pôde retirar as lições para a futura desforra proletária.